PLANO GERAL 

A intervenção na área identificada em planta é o corolário de algumas intervenções anteriores, já concluídas, de requalificação da frente urbana marginal da cidade de Esposende, e de troços das ecovias e assume a lógica de continuidade de percursos, no sentido de valorizar estes espaços para a vida e recreio das população, viabilizando acessos pedonais e clicáveis, identitários, integrados designadamente na  rede da ecovia do litoral e do Cávado, promovendo também a ligação entre as duas margens do Estuário.

A área do Parque abrange por isso as duas margens do Cávado, e uma ligação pedonal entre ambas, configurando desta forma uma intervenção de requalificação e potenciação de um grande contínuo natural com cerca de 30 hectares.

 

Ponte pedonal e clicável

Esta prevista a realização de uma ponte de ligação entre as duas margens do parque, para peões e ciclovia, sensivelmente paralela à Ponte existente.

Será uma estrutura mista, metálica com pilares e tabuleiro em betão armado.

Será objeto de um procedimento autónomo relativamente ao do parque, estando, no entanto, articulada no que respeita a pontos de entrega nas margens e na relação com as respetivas acessibilidades programadas.

1ª fASE -1ª Parcial - Margem direita

A área do Parque conformada na margem direita possui vários tipos de paisagem, desde margem primária, as zonas de encharcamento, a clareiras (prados) e zonas agricultadas. Cada uma com vocações e necessidades específicas. De uma forma sintética identificam-se as principais intervenções e objetivos previstos:·Criação de vários acessos e tipos de circulação em função das necessidades funcionais de visitação e fruição e da relação com a envolvente urbana (arruamentos e passeios). Serão a nova capilaridade do Parque que permitirá a vivência responsável e disciplinada deste espaço natural. Os pavimentos rígidos, no solo, serão permeáveis, realizados com inertes agregados, do tipo betão poroso. Os passadiços incluindo as zonas de estadia, serão em estruturas sobrelevadas, construídas em estruturas mistas e réguado em madeira e em compósito nalguns casos. A requalificação do trecho confrontante da Av. Eng.º Eduardo Arantes de Oliveira e ao longo da Rua da Ponte D Luis Filipe, abrangendo o arruamento existente e o espaço urbano associado (passeio e estacionamento), correspondente ao trecho da (antiga EN13) rua da Ponte D. Luis Filipe até à Av. S. Martinho, incluindo a reorganização do espaço público do lado nascente, com a criação de uma faixa de estacionamento seguido de um passeio em calçada, com caldeiras e faixas verdes para arborização a criar (de alinhamento). Prevê-se ainda um observatório da avifauna como um elemento icónico para os amantes da paisagem e da natureza. Será um elemento com significativa dimensão vertical, realizado em estrutura metálica com revestimento exterior metálico termolacado a cor verde paisagem conjugado com aço oxidado

1ª fASE - 2º Parcial - Margem direita

Na respectiva fronteira comum ao arruamento será implantada uma faixa ciclável e um passadiço, estabelecendo uma fronteira suave de transição para o espaço natural do Parque. A ciclovia desenvolve-se na continuidade da ciclovia urbana mais a norte, integrada  no passeio urbano da marginal da cidade de Esposende, e integra o circuito da ecovia do litoral (assumindo aqui apenas alguns elementos identitários, como sejam os elementos iconográficos no pavimento).

A construção de duas cafetarias de apoio à vivência do Parque, está prevista nas principais entradas do Parque que irão proporcionar apoio funcional nessa visitação, oferecendo esplanadas e vistas panorâmicas.

Serão elementos pouco intrusivos, identitários, com uma arquitectura em madeira e elevada transparência recorrendo a caixilharias minimalistas e grandes panos de vidro.

Junto de uma destas cafetarias será criado um parque infantil assente em caixa em areia e composto por equipamentos em madeira de robinia e por equipamentos de cordas, mais enquadrados com a paisagem.

2 ª fASE - 1 Parcial - Margem direita

Ao nível da paisagem considera-se fundamental conservar os maciços de vegetação existentes (embora se possa ter que proceder a abate pontual e cuidado de infestantes) e nas áreas onde não existe vegetação pretende-se empregar espécies autóctones, naturalizadas, adaptadas à acção dos ventos marítimos e às zonas de encharcamento.

O estrato arbóreo a introduzir será composto por espécies adaptadas a encharcamento ou níveis significativos de água no solo (freixos, ulmeiros, choupos, amieiros, salgueiros, entre outras) e na proximidade do arruamento por vegetação exigente em terrenos mais secos (carvalhos, pinheiros, tamargueiras, pilriteiros, borrazeiras). As espécies escolhidas e a forma de plantação favorecerá a sucessão ecológica e consequentemente uma gestão mais sustentada do sistema, refletindo-se na redução dos custos de manutenção. O estrato arbustivo surge também, para reforçar maciços dispersos e criar, em conjunto com o estrato arbóreo, melhores condições microclimáticas, e promovendo a biodiversidade. Quanto ao estrato herbáceo, as plantações mais significativas prendem-se com plantações em zonas húmidas – fundamentalmente, lírios, tábuas e juncos – e são igualmente de referir as sementeiras de prados, com espécies adaptadas ao encharcamento e resistência à privação de rega.

PLANTA-GERAL-PARCIAL-4
2 ª fASE - 2 Parcial - Margem esquerda

A área localizada na margem esquerda corresponde também a um espaço natural parcialmente inundável, que acolhe um campo de jogos informal e que é recortado pelo arruamento que liga Ofir ao núcleo urbano antigo de Fão, à cota inferior. Está neste momento em construção o troço da ecovia que atravessará esta área fazendo uma transição de cotas para a ligação a sul. A requalificação desta zona é fundamental na medida em que se considera determinante agregar a mesma realidade biofísica e paisagística, unida pelo estuário, e porque é aqui que se cruzam as ecovias do Litoral e do Cávado.

As intervenções previstas são portanto subordinadas à recuperação ambiental, à requalificação da paisagem e à articulação destas novas acessibilidades. Em termos específicos sistematizam-se as seguintes intervenções previstas:

• A demolição de alguns elementos incompatíveis ou dissonantes;

• A limpeza geral e remoção de infestantes e espécies de risco ecológico;

A renaturalização das áreas degradadas e a rearborização de enquadramento com espécies autóctones ou predominantes;

• A articulação dos percursos das ecovias que aqui se cruzam.;

A requalificação paisagística da zona da ETAR com incorporação de um parque de estacionamento de utilização sazonal.

A construção de um parque de estacionamento em pavimento permeável adjacente ao arruamento conforme explícito em planta, para apoio sazonal nos períodos de maior procura (meses de julho a setembro).

Em complemento ao desenho do Parque foi desenvolvida uma proposta paralela a conformar em procedimento autónomo, de alteração da geometria existente no espaço urbano exterior aos limites da intervenção. Preconiza-se a alteração do cruzamento existente com a introdução

de uma rotunda e de novo acesso viário de destinado a melhorar as condições actuais de drenagem do trânsito de praia em alturas de maior pressão e intensidade.